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Dark Horse, Lide e Banco Master: a teia que liga a PF, senadores foragidos e R$ 17 bilhões — Editoria Mushspresso
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Dark Horse, Lide e Banco Master: a teia que liga a PF, senadores foragidos e R$ 17 bilhões

Um grupo empresarial de prestígio, um banco sob suspeita de fraude bilionária, um filme financiado com dinheiro investigado e parlamentares do PL que fugiram para os Estados Unidos. O retrato de uma teia que atravessa Brasília, São Paulo, Miami e o sistema financeiro.

Poucas organizações no Brasil conseguiram construir uma ponte tão eficiente entre o empresariado e o poder público quanto o Lide — Grupo de Líderes Empresariais. Fundado em 2003 pelo empresário e ex-governador de São Paulo João Doria, o grupo reúne mais de 2.000 empresas filiadas no país e no exterior e se apresenta como a maior plataforma de livre iniciativa da América Latina. Acontece que alguns de seus quadros mais destacados passaram a aparecer, nos últimos anos, em relatórios da Polícia Federal.

A partir de decisões judiciais, relatórios de inteligência policial e documentos obtidos por investigações em curso, é possível reconstruir uma malha de relações que começa em eventos de gala empresarial e termina em operações de busca e apreensão. No centro dessa malha está o Banco Master — e um filme que se tornou o elo mais explosivo entre o banqueiro investigado e a família Bolsonaro.

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A ligação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro veio à tona após a publicação, pelo portal The Intercept Brasil, de áudios em que o senador aparece pedindo a Vorcaro recursos para a produção do filme. O valor negociado chegou a R$ 134 milhões — ou 24 milhões de dólares na cotação da época —, segundo revelações posteriores [1].

Mas os documentos apreendidos pela Polícia Federal mostram que, além dos R$ 134 milhões negociados, pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões — haviam sido efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto [2]. O dinheiro saiu de uma empresa brasileira, a Entre Investimentos, ligada a um operador financeiro conhecido como "Mineiro", e foi remetido a um fundo americano chamado Havengate Development Fund, sediado no Texas [2].

O inquérito, batizado de Dark Horse, foi instaurado em 22 de julho de 2026 pelo ministro André Mendonça, do STF, a pedido da Polícia Federal e com aval da Procuradoria-Geral da República. A investigação apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção [3].

Os oito investigados no inquérito Dark Horse

  • Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Banqueiro Daniel Vorcaro (ex-controlador do Banco Master)
  • Ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP, foragido nos EUA)
  • Deputado Mário Frias (PL-SP)
  • Intermediador Thiago Miranda
  • Executivo Fabiano Zettel
  • Advogado Paulo Calixto
  • Corretor de imóveis Altieres Santana

Eduardo Bolsonaro: foragido nos EUA e gestor do dinheiro do filme

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente, vive atualmente como foragido nos Estados Unidos. Ele foi condenado pelo STF a quatro anos de prisão por coação, devido a ações nos EUA para intimidar o Judiciário brasileiro.

Mas o envolvimento de Eduardo vai muito além da fuga. Investigações da Polícia Federal apontam que ele orientou a gestão da verba de Vorcaro para o filme Dark Horse nos Estados Unidos. Uma das suspeitas centrais é que parte dos 24 milhões de dólares estimados para a obra tenha sido drenada para custear a vida de Eduardo no exterior [4].

Reportagens do The Intercept Brasil revelaram que contratos apontam Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo de "Dark Horse", com poder sobre os recursos captados [1]. Mensagens apreendidas pela PF citam um pedido de reunião de Eduardo e Flávio Bolsonaro com Vorcaro para tratar do filme — no mesmo dia em que Eduardo anunciou sua fuga para os EUA [2].

O modus operandi era sofisticado: a empresa Entre Investimentos enviava o dinheiro ao fundo Havengate, sediado nos EUA e controlado pelo advogado Paulo Calixto, que atua para Eduardo. Em mensagens interceptadas, o próprio Eduardo orientava sobre "enviar a maior quantia possível pelo modelo em uso" [2]. A PF identificou pelo menos sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate, a pedido de Vorcaro [5].

A articulação para blindar Eduardo

Mesmo foragido, Eduardo Bolsonaro chegou a ser articulado pelo PL para ocupar uma vaga de suplente ao Senado por São Paulo, na chapa de André do Prado. A manobra, revelada em abril de 2026, buscava garantir "refúgio institucional" ao clã Bolsonaro. No entanto, em julho de 2026, Eduardo desistiu da candidatura e indicou uma aliada para a vaga [6].

Flávio Bolsonaro e o pedido de R$ 134 milhões

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, é o principal alvo político do inquérito Dark Horse. A PF apurou que o dinheiro repassado por Vorcaro — cerca de R$ 61 milhões — teria sido disponibilizado a pedido do senador [5].

As tratativas entre Flávio e Vorcaro foram reveladas em áudios publicados pelo The Intercept Brasil, nos quais o senador aparece cobrando parcelas atrasadas do financiamento do filme. Em um dos trechos, Flávio pede R$ 134 milhões ao banqueiro para a produção [1].

A Polícia Federal avalia solicitar a inclusão de Flávio Bolsonaro e de Daniel Vorcaro na difusão prateada da Interpol — mecanismo utilizado para localizar e identificar ativos financeiros e patrimoniais no exterior. A medida, se adotada, ampliaria significativamente o alcance das investigações [7].

A delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", homologada pelo ministro André Mendonça em setembro de 2026, confirmou o papel central de Flávio. Segundo o delator, as operações ocorreram "por determinação de Vorcaro, após pedidos do senador Flávio Bolsonaro, interessado na realização do filme" [8].

Partidos políticos já protocolaram pedidos de cassação do mandato de Flávio Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar, com base nas revelações sobre o financiamento do filme.

Mário Frias e a Operação Make Up

O deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo de "Dark Horse", é alvo de uma investigação paralela: a Operação Make Up, deflagrada em 10 de setembro de 2026 pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União [9].

A operação apura o desvio de emendas parlamentares para financiar o filme. Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, produtora do longa. A investigação apura se parte desses contratos foi simulada ou fraudulenta [10].

Na decisão que autorizou a operação, o ministro Flávio Dino, do STF, apontou Mário Frias como figura central e possível liderança de uma organização criminosa com possíveis vínculos com o PCC. O deputado foi proibido de sair do país e de manter contato com os demais investigados [9].

Ao todo, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 53 pessoas e empresas [10]. Na casa de Frias, a polícia apreendeu sete armas de fogo — entre elas uma carabina calibre 9 mm de origem eslovaca e uma espingarda estilo "coach gun" — que estavam registradas em seu nome, mas em local diferente do declarado às autoridades [11].

Um projeto de R$ 1 milhão destinado por Frias ao ICB — a iniciativa Jovem Empreendedor, que previa capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes na região de Pirassununga (SP) — não foi executado conforme previsto. A Controladoria-Geral da União constatou que as metas não foram cumpridas e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação rejeitou a prestação de contas [10].

O Lide e os seus quadros sob investigação

O Lide não é alvo direto das apurações. O que as investigações revelam, no entanto, é que nomes ligados à sua estrutura — palestrantes, dirigentes de braços temáticos e parceiros de evento — foram alcançados por diferentes frentes da Polícia Federal.

Patrick Burnett

Presidente do Lide Inovação e CEO do Inovebanco, Burnett foi preso em agosto de 2024 sob suspeita de envolvimento em uma fraude financeira de grande porte, com movimentação estimada em R$ 7,5 bilhões. A investigação apura crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro a partir de fintechs que operavam sem autorização do Banco Central [12]. Após a prisão, o grupo Lide anunciou o seu afastamento — a entidade esclareceu que Burnett era curador de inovação, um cargo voluntário sem função executiva [13].

Jaime de Paula

Fundador da Neoway e presença frequente em eventos do Lide, firmou em 2022 uma delação premiada ao Ministério Público Federal. No depoimento, detalhou um esquema de corrupção envolvendo contratos de sua empresa de tecnologia com o governo de Santa Catarina entre 2009 e 2011. O acordo de colaboração previa o pagamento de R$ 39,2 milhões — sendo R$ 20 milhões de multa compensatória e R$ 19,2 milhões de ressarcimento aos cofres públicos [14].

O Banco Master e a Operação Compliance Zero

O Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, tornou-se o epicentro de uma investigação que apura fraudes financeiras cujo valor pode alcançar R$ 17 bilhões — entre emissão de títulos sem lastro e manipulação contábil. O banco foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, quando tinha apenas R$ 4 milhões em caixa [15].

Vorcaro foi preso preventivamente em novembro do ano passado, um dia antes de a operação ser deflagrada, quando tentava embarcar para Dubai. A prisão foi posteriormente mantida pela Justiça. A operação também levou à prisão de executivos e operadores apontados como peças-chave do esquema, entre eles o advogado Daniel Monteiro, descrito pela Polícia Federal como um dos articuladores centrais da estrutura [16].

Em uma das fases seguintes da apuração, foi preso o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, por suspeita de ter autorizado operações sem lastro com o Master. Segundo os investigadores, Costa teria acertado com Vorcaro o recebimento de cerca de R$ 146,5 milhões em vantagens indevidas, incluindo seis imóveis de luxo [17]. O caso do BRB é particularmente sensível: o banco estatal tentou comprar o Master, operação que acabou barrada pelo Banco Central [18].

O que está em jogo no caso Master

  • Fraudes financeiras estimadas em até R$ 17 bilhões
  • Emissão de títulos sem lastro e manipulação contábil
  • Prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, mantida pela Justiça
  • Prisão do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador do esquema
  • Prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa
  • Banco liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 com apenas R$ 4 milhões em caixa
  • Financiamento de R$ 61 milhões ao filme "Dark Horse" a pedido de Flávio Bolsonaro

Os parlamentares citados

O caso transbordou o universo financeiro e chegou ao Congresso. Relatórios da Polícia Federal e mensagens extraídas de celulares apreendidos colocaram deputados e senadores no centro do noticiário.

Senador Ciro Nogueira (PP-PI)

Um relatório da PF descreve como uma emenda parlamentar de sua autoria teria sido redigida pela assessoria do Banco Master, com o objetivo de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão em benefício da instituição. O texto foi elaborado por André Kruschewsky, diretor do banco, encaminhado a Vorcaro, impresso e entregue em envelope endereçado a "Ciro" no endereço residencial do senador. Após a publicação, Vorcaro comentou: "saiu exatamente como mandei" [19].

Além da emenda, Ciro Nogueira é acusado de receber uma espécie de mesada de R$ 500 mil do dono do Master, com pagamentos efetuados pelo primo de Vorcaro, Felipe Vorcaro [19].

Deputado Hugo Motta (Republicanos-PB)

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro revelaram que o banqueiro se apresentava como "o número 1" do presidente da Câmara. A PF aponta que Vorcaro bancou suítes em um hotel de luxo em Lisboa para Motta e para o senador Ciro Nogueira em junho de 2024. A hospedagem de Ciro Nogueira teve custo total de R$ 91,2 mil, cerca de R$ 18,2 mil por diária [20].

O período da reserva coincidiu com a realização, na capital portuguesa, do fórum jurídico anual organizado pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Motta não foi alvo de diligências e disse ter "muita tranquilidade" sobre as diárias [20].

Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG)

Citado após a divulgação de um áudio atribuído a Vorcaro. Em resposta, afirmou que o relatório da Polícia Federal não identificou indícios de crime de sua parte.

Outros parlamentares mencionados

O caso também alcança os deputados Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), Marcos Pereira (Republicanos-SP) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). O deputado Roberto Duarte (Republicanos-AC) cobrou investigações sobre contratos do Master que envolveriam o ministro do STF Alexandre de Moraes. Já o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou um pedido de CPI para investigar o banco.

Advogados, escritórios e o alto escalão do Judiciário

O caso Master tem um componente jurídico pronunciado — e é nele que aparecem algumas das conexões mais delicadas da investigação.

André Kruschewsky

Ex-diretor jurídico do Banco Master, é apontado pela PF como a pessoa que elaborou o texto da emenda e o encaminhou a Vorcaro. O texto foi depois entregue em envelope ao senador Ciro Nogueira [19].

Escritório de Viviane Barci

A Polícia Federal identificou um contrato de prestação de serviços advocatícios entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. O contrato, que vigorou de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, previa pagamento de R$ 130 milhões, sendo R$ 108 milhões líquidos em 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões [21]. O banco também contratou como consultores os ex-presidentes Michel Temer e Ricardo Lewandowski.

Daniel Monteiro

Advogado preso na 4ª fase da Operação Compliance Zero, em abril de 2026, é apontado como "arquiteto jurídico" e operador técnico da engrenagem criminosa. Segundo a PF, ele comandava um "compliance paralelo" e criou uma estrutura societária sofisticada para ocultar patrimônio. Apenas com a operação de dissimulação dos pagamentos ao ex-presidente do BRB, Monteiro faturou R$ 86,1 milhões [16].

Seu nome não foi incluído nos relatórios finais de CPIs que investigaram o caso.

Dalide Corrêa

O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master em 2024, segundo auditoria interna do BRB. Dalide, que foi diretora-geral do IDP — instituição de ensino fundada pelo ministro Gilmar Mendes —, era citada em diálogos de diretores do Master como "canal direto com o STF" e tratada como "sócia de Gilmar" [22].

Outros nomes

O advogado Ciro Soares é mencionado por ter enviado uma foto do Procurador-Geral da República a Vorcaro. Diante do uso de comunicações entre advogados e clientes nas apurações, a OAB solicitou ao STF providências para preservar o sigilo profissional, após o vazamento de dados sigilosos de investigados [23].

O escritório Nelson Wilians

Entre os escritórios de advocacia que aparecem nesse emaranhado, o de Nelson Wilians ocupa posição singular: atua em duas frentes distintas e simultâneas — a defesa de um alvo da operação e a prestação de serviços a um banco estatal que tentou comprar o Master.

Defesa na Operação Compliance Zero

Diferentemente de outros citados, Nelson Wilians não é investigado no caso Master. Seu escritório atua na defesa de Allan da Silva Machado, um dos alvos da operação que prendeu Vorcaro em novembro de 2025. A procuração foi assinada por Machado no mesmo dia da ação da Polícia Federal, e a defesa chegou a enviar ao STF um pedido de informações sobre o número do processo no Supremo.

O contrato com o BRB

O escritório mantém um contrato ativo com o Banco de Brasília desde 2021. Documentos mostram que 52 advogados do escritório estão autorizados a representar judicialmente o banco estatal até o fim de 2025. O BRB confirmou a contratação, mas não respondeu se o escritório atuou na tentativa de compra do Banco Master — a operação que acabou barrada pelo Banco Central. A manutenção do contrato, mesmo após o avanço das investigações, gerou críticas políticas e institucionais [24].

Outras frentes

Nelson Wilians também é alvo de apurações paralelas e foi convocado à CPI Mista do INSS. O Coaf detectou R$ 4,3 bilhões em movimentações consideradas atípicas no escritório entre 2019 e 2024. Em julho de 2026, o advogado foi alvo de buscas em uma ação que mirou um suposto esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS. Em agosto do mesmo ano, a Operação Arena cumpriu mandado contra ele em investigação sobre fraudes bilionárias com apostas ilegais, na qual é apontado como suspeito de ser o operador financeiro do grupo investigado. Em depoimento à CPMI do INSS, permaneceu em silêncio sobre as movimentações de R$ 4,3 bilhões. Ele nega participação nas fraudes [25].

Nelson Wilians — panorama

FrenteSituação
Caso Banco MasterAdvogado de Allan da Silva Machado, alvo da Operação Compliance Zero
Contrato com o BRBAtivo desde 2021; 52 advogados autorizados a representar o banco estatal
Compra do Master pelo BRBBRB não respondeu se o escritório atuou na operação
CoafR$ 4,3 bilhões em transações atípicas entre 2019 e 2024
Operações da PFAlvo de buscas por créditos falsos de ICMS e fraudes com apostas ilegais

A linha do tempo do escândalo

DataEvento
Nov/2025Daniel Vorcaro é preso tentando embarcar para Dubai; Banco Master é liquidado pelo BC com apenas R$ 4 milhões em caixa [15]
Fev–Mai/2025Vorcaro envia US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) ao fundo Havengate nos EUA para financiar "Dark Horse" [2]
Mai/2026Intercept revela áudios de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro para "Dark Horse" [1]
Jul/2026Mendonça instaura inquérito Dark Horse; PF avalia incluir Flávio na Interpol [3]
Set/2026Operação Make Up cumpre 49 mandados; Mário Frias é apontado como líder de organização criminosa [9]
Set/2026Mendonça homologa delação de "Mineiro", operador financeiro do esquema [8]

O que a teia revela

Lidas em conjunto, as apurações desenham um padrão: um grupo empresarial de alto prestígio que funciona como plataforma de relacionamento; uma instituição financeira que, segundo a PF, cresceu sobre operações sem lastro; uma família política que utilizou o banco para financiar um projeto cinematográfico; e uma camada jurídica que conecta o banco a escritórios com trânsito no topo do Judiciário e do Executivo.

O ponto mais sensível é a sobreposição de papéis. O mesmo ambiente que reúne empresários em jantares e painéis é o que fornece os operadores de um esquema investigado por fraude bilionária. Os mesmos escritórios que defendem alvos da operação são contratados por instituições públicas que negociaram com o banco investigado. E os mesmos parlamentares que deveriam fiscalizar aparecem, segundo relatórios policiais, como destinatários de gestos de cortesia do banqueiro — ou, no caso do Dark Horse, como beneficiários diretos dos recursos.

Nenhuma dessas conexões, por si só, configura crime. Mas o volume de coincidências — e a coincidência de volumes — explica por que o caso Master deixou de ser um episódio do mercado financeiro para se tornar um problema de arquitetura institucional. E por que um filme sobre Bolsonaro se tornou o elo mais visível de uma teia que ainda está longe de ser completamente desvendada.

Em resumo

FrentePrincipais pontos
Dark Horse Filme sobre Bolsonaro financiado com R$ 61 milhões de Vorcaro. Inquérito apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Oito investigados [1][2][3]
Eduardo Bolsonaro Foragido nos EUA. Apontado como gestor do dinheiro do filme no exterior. Suspeita de que recursos de Vorcaro custearam sua vida nos EUA [4][5]
Flávio Bolsonaro Investigado por pedir R$ 134 milhões a Vorcaro. PF avalia incluí-lo na Interpol. Pedidos de cassação protocolados [1][7]
Mário Frias Alvo da Operação Make Up. Apontado por Dino como líder de organização criminosa com possível elo com o PCC. Proibido de sair do país [9][10]
Grupo Lide Patrick Burnett (Lide Inovação) preso em 2024; Jaime de Paula firmou delação premiada em 2022 [12][14]
Banco Master Fraudes estimadas em até R$ 17 bilhões. Liquidado pelo BC com apenas R$ 4 milhões em caixa. Vorcaro preso preventivamente [15][16]
Operação Compliance Zero Prendeu Vorcaro e o advogado Daniel Monteiro; alcançou o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa [16][17]
Parlamentares citados Ciro Nogueira, Hugo Motta, Nikolas Ferreira, Arnaldo Jardim, Marcos Pereira, Isnaldo Bulhões, Roberto Duarte e Carlos Jordy [19][20]
Advocacia Kruschewsky, Daniel Monteiro, Dalide Corrêa, Ciro Soares e o escritório de Viviane Barci. OAB pediu ao STF proteção ao sigilo profissional [19][21][22][23]
Nelson Wilians Defesa na Compliance Zero, contrato ativo com o BRB, R$ 4,3 bi em transações atípicas no Coaf e alvo de duas operações da PF [24][25]
Nota da redação Esta reportagem reúne informações tornadas públicas sobre investigações em andamento. Citação em relatório policial, pedido de busca ou prisão preventiva não constitui condenação. Todos os citados negam as acusações, presumem-se inocentes e têm direito à ampla defesa. O material será atualizado conforme novos desdobramentos.
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Fontes consultadas

  1. The Intercept Brasil — Reportagens da série "Vaza Flávio" e "Cartas Marcadas" (maio e junho de 2026).
  2. Diário do Centro do Mundo — Reportagens sobre Eduardo Bolsonaro e as transferências ao fundo Havengate (setembro de 2026).
  3. Agência Brasil — Cobertura da Operação Make Up e do contrato de Viviane Barci (setembro de 2026).
  4. Estadão — Reportagens sobre Daniel Monteiro, Dalide Corrêa e a delação de "Mineiro" (2026).
  5. G1 / Globo — Reportagens sobre Patrick Burnett, Daniel Monteiro e a prisão de Paulo Henrique Costa (2024–2026).
  6. Conjur — Reportagem sobre a prisão de Patrick Burnett (agosto de 2024).
  7. NSC Total — Reportagens sobre a delação premiada de Jaime de Paula (agosto de 2022).
  8. Jornal de Brasília — Reportagem sobre a emenda do Banco Master a Ciro Nogueira (maio de 2026).
  9. A Tarde — Reportagem sobre as hospedagens de Ciro Nogueira e Hugo Motta em Lisboa (junho de 2026).
  10. CNN Brasil — Reportagem sobre o pedido da OAB ao STF (março de 2026).
  11. RTP — Reportagem sobre a prisão de Paulo Henrique Costa (abril de 2026).
  12. Revista Fórum — Reportagens sobre a PF e Flávio Bolsonaro (2026).
  13. Poder360 — Reportagens sobre a Operação Make Up e as fases da Compliance Zero (2026).
  14. InfoMoney — Reportagem sobre a liquidação do Banco Master (janeiro de 2026).
  15. Folha de S.Paulo — Reportagens sobre Eduardo Bolsonaro e o caso Master (2026).
  16. O Globo — Reportagens sobre as armas de Mário Frias e a delação de "Mineiro" (setembro de 2026).
  17. Band — Reportagem sobre a homologação da delação de "Mineiro" (setembro de 2026).
  18. O Tempo / Tribuna do Norte — Reportagens sobre Dalide Corrêa (setembro de 2026).
  19. Meio News — Reportagem sobre a Interpol e Flávio Bolsonaro (julho de 2026).
  20. Extra — Reportagem sobre as armas apreendidas com Mário Frias (setembro de 2026).